quinta-feira, 22 de abril de 2010

Depressão

Hoje, parte de mim foi destruída. A raiva me consome, minha cabeça dói de preocupação, minha dor de garganta está querendo desentalar todas as palavras que não saem a um bom tempo de dentro de mim. Sinto ódio, angústia. Sinto que eu adoraria ver o sangue jorrar das minhas veias abertas com uma gilete.
Se um dia eu sumir, por favor, não me procure. Se eu parar de respirar, não me reanime. Se eu levar um tiro, não me socorra. Se eu chorar, não me console. Se eu sorrir, não retribua. Se tiver algum sentimento por mim, deixe-me ir. Deixe-me desprezar a todos aqueles que um dia me fizeram sofrer, todos que me rejeitaram, que não acreditaram em mim. Deixe-me ao menos uma vez sentir-me alguém diferente e livre de todos os problemas que um dia me fizeram chegar a este ponto.
Quero fazer com que a revolta e a tristeza que sinto, torne-se poeira. Quero que elas sumam, que voem e causem asma em outra pessoa que realmente mereça. Quero que meu sangue deixe de ser azul, gelado e frio, sem dar a mínima importância a todos aqueles que se dizem amigos. Quero fazer uma enorme besteira, quero me jogar de uma ponte, quero dar um tiro na garganta, quero cortar meus pulsos, mas o que eu queria realmente era ter a coragem para fazer tudo isso.
Meus olhos ficam se fechando, minha boca seca, minhas mãos suadas, meus pés trêmulos, meus olhos molhados. Para que ligar para o que eu mesma sinto quando nenhum outro foi capaz de dar importância a um pequeno sentimento? Que mundo tão óbvio! Tão fajuto! Tão nojento! Que seres humanos mais ignorantes, horripilantes.
Passado, presente e futuro, o modelo de beleza nunca vai mudar, o ideal intelectual, as televisões, populações, países, cidades, corações... A ignorância vence o ser humano, decepciona e alimenta falsas esperanças, acaba com a sua vida em alguns longos e cansativos anos. Se pudesse expor o sentimento que o ser humano mais causa no mundo eu diria que é a depressão, aquele sentimento que aos poucos acaba com a vida, com o coração.

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